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Faça por dinheiro

“Não é da bondade do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro
que esperamos nosso jantar, mas da consideração pelos seus próprios interesses”.

Adam smith


Vá no meio de uma praça e diga que você que presta seu serviço somente por causa do dinheiro que ele paga.

Provavelmente, você não conseguirá muitos clientes.

Mas não se preocupe, o problema não está em você. Está, na verdade, numa crença que nos ensinaram desde cedo: a de que fazer as coisas por dinheiro é ruim.

Minha tarefa aqui é mostrar não só que isso é um absurdo, mas que fazer as coisas por dinheiro é talvez a melhor estratégia que você poderia ter.

Vamos lá.

A primeira coisa que você precisa entender é que fazer algo por dinheiro não é ruim e nem errado. Errado é matar, roubar, mentir ou enganar alguém por dinheiro, mas trabalhar por dinheiro não só é o certo, como é o básico da vida.

(Essa aí eu ouvi da Lara Nesteruk).

Não existe nenhum vilão ou vítima quando alguém trabalha por dinheiro.

Quando Steve Jobs criou o iPhone, junto com toda a equipe da Apple, não fez só porque “amava criar os melhores produtos que podia”, mas porque havia uma recompensa nisso – uma grande recompensa.

Se não houvesse, não existiria iPhone.

Desejar a recompensa não tornou Jobs um vilão. Até porque ele não pegou o dinheiro do bolso de milhões de pessoas e as obrigou a comprar um iPhone. As pessoas compraram, voluntariamente, porque o produto era bom.

É aqui que vou começar a queimar seus neurônios, porque vamos contra tudo o que você ouviu a vida toda: Tenha interesse no dinheiro das outras pessoas.

Sim! Sabe por quê?

Já viu alguém fazer um bom trabalho, criar um bom produto ou serviço sem estar interessado naquilo?

A única forma do seu trabalho ter um resultado excelente é: tendo um interesse.

E o interesse é (pasmem): dinheiro – mas ninguém quer falar ou assumir isso.

Sexo não é o maior tabu da sociedade, como muita gente acredita. É muito fácil falar sobre ele. É só abrir seu Reels ou TikTok e você verá milhares de referências ao tema.

O maior tabu é dinheiro.

Temos uma visão errada de que o empreendedor não devia se interessar pelo dinheiro do cliente. Que ele devia estar interessado somente no bem estar, ser bonzinho, dar descontos e assumir que “o cliente está certo a todo instante”.

Como se fosse um súdito – e as vezes até um escravo.

Mas se o cliente está interessado num excelente produto/serviço, por que o empreendedor não pode estar interessado no dinheiro do cliente?

Afinal, é uma troca. Se você tem uma necessidade e eu tenho a solução, trocamos aquilo que queremos e temos interesse. Simples.

Forçar os empreendedores a se privarem de qualquer desejo e interesse é pedir a morte da inovação e da boa prestação de serviços.

A verdade é que se as pessoas soubessem o porquê o dinheiro surgiu e qual o objetivo dele, não haveria tanto desentendimento assim (veja a aula A origem do dinheiro).

Agora, para irmos mais a fundo nesse tema, temos que recorrer ao mestre (Charlie):

O que determina o comportamento são os incentivos.

Charlie Munger

Enxergue a realidade como ela é, não como ela deveria ou como você gostaria que fosse, e dê os devidos nomes a ela: todos nós nos movemos pelos nossos interesses.

Nós só fingimos que não, porque não sabemos que é normal se mover assim, que não há nada de errado – e que ninguém deveria ser julgado por isso.

A maior parte das pessoas tem medo de falar que faz por dinheiro, porque acham que fazer por dinheiro significa entregar qualquer coisa.

Mas é exatamente o contrário.

Fazer por dinheiro é entregar o melhor trabalho possível.

Viver como uma vítima, com a mentalidade de ONG, em que tudo que você faz deveria ser gratuito, é o segredo para péssimos trabalhos.

Porque sem interesse em algo, sem um incentivo para agir e fazer o melhor trabalho, você não fará nada.

Adam Smith costumava dizer o seguinte:

“Não é da bondade do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração pelos seus próprios interesses.”

“It is not from the benevolence of the butcher, the brewer, or the baker that we expect our dinner, but from their regard to their own interest.”

Adam Smith

O fato de um produto ser bom não exclui a realidade de que ele foi feito para ganhar dinheiro. O padeiro não só acorda cedo porque ama fazer pão, mas porque paga bem.

Pode ter certeza de que se alguém tiver interesse no seu dinheiro, provavelmente fará o melhor produto ou prestará o melhor serviço para você.

Porque se ele sabe que a melhor forma de ganhar o dinheiro é oferecendo uma solução valiosíssima, aliado a uma ótima entrega e suporte, por que ele não faria tudo isso?

Tudo se resume a uma cascata de eventos:

1- Ser interessado pelo dinheiro do cliente, porque o interesse em um benefício próprio é o maior motor para grandes resultados.
2- Entender que para ganhar esse dinheiro é preciso fazer o melhor trabalho possível, criando algo de extremo valor, aliado a um ótimo atendimento.
3- Resultando em clientes e empreendedores satisfeitos. Ambos saem ganhando, recebendo o que os interessavam.

Por isso, a partir de agora, não seja o “bonzinho”. Não diga que cria seu produto ou serviço para “ajudar todo mundo”.

Aliás, não existe nada pior que um falso altruísmo.

Se alguém perguntar se você está interessado no dinheiro dela, diga que sim. E que é justamente por esse motivo que você fará o melhor atendimento que ela terá na vida.

“Bonzinho”, a partir de agora, é quem faz por dinheiro. Porque é impossível criar um resultado melhor do que aquele em que seu feitor está interessado no resultado e entende as melhores regras para criá-lo.

Quando faz por você, automaticamente faz o melhor trabalho e, consequentemente, faz por todas as outras pessoas.

Eu tenho orgulho de dizer que esse site foi feito para um dia ganhar dinheiro, porque isso me obriga a criar algo de valor.

Do contrário, como ganharia dinheiro com isso? É minha obrigação ser honesto, confiável e fazer um excelente trabalho.

Além de tudo isso, um dos grandes benefícios da mentalidade de fazer por dinheiro é ter uma direção.

A maioria das pessoas não sabe nem para onde ir. Vivem apenas seguindo um fluxo e realizando o sonho que outras pessoas escolheram para elas.

Só o fato de ter uma direção para seguir já é um grande diferencial.

Nesse caminho, você aprenderá que a integridade é um pré-requisito, que você deve ser honesto, justo, levar boas pessoas com você, compartilhar os ganhos (porque eles se multiplicam), pensar no longo prazo e outras dezenas de qualidades.

Você verá que ricos são pessoas incríveis, que fazem doações, contribuem para a sociedade com grandes inovações, são excelentes companhias e ótimos espelhos para se basear.

Pode ser que no meio do caminho você descubra algo que te motive mais do que só a recompensa.

Na verdade, isso acontecerá – mas esse é um tema para outro post.

Paíque Bueno


As grandes referências que inspiraram esse texto foram:

  • Geração de Valor (Flávio Augusto).
  • Lara Nesteruk
  • Adam Smith