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O que significa “Compras”?

A única regra dos investimentos.


Existe uma forma de pensamento que mudou minha vida por completo.

Se você já viu a aula de número 17 vai saber do que estou falando: Primeiros Princípios.

Basicamente, é a estratégia de reduzir uma ideia a verdades fundamentais e raciocinar a partir dali. Você quebra um conceito até chegar em algo que é um fato – e não só uma opinião – e aí sim monta seu raciocínio.

Isso é ainda mais importante considerando a tendência natural humana de aceitar o que a maioria diz – não necessariamente a verdade.

Como Warren Buffett diz:

“Você não está certo só porque mil pessoas concordam com você ou errado porque mil discordam. Você está certo por causa dos fatos”.

Então, se for pra montar um castelo, que seja no concreto, não na areia.

Aqui na Netmart, já usei Primeiro Princípios com negócios e vendas. Reduzimos essas áreas a verdades fundamentais, características compartilhadas pelos melhores negócios que existem.

Mas se tratando de liberdade financeira, faltava uma área: os investimentos – a renda passiva.

Pesquisei e estudei por meses, sempre atento a um sinal que me indicasse um princípio fundamental por trás de todo investimento, algo comum a todos eles.

É difícil, porque não há fim, o limite é sempre nosso conhecimento – ou a falta dele.

É necessário sempre ir mais a fundo. E sempre que não houver resposta, é um sinal de que devemos voltar aos estudos.

Depois de um tempo, fui recompensado. Era um vídeo do Howard Marks. E foi necessário somente uma frase para acender uma luz na minha cabeça.

Lá, ele dizia de forma genial que:

“Só existe uma forma de investir: descobrir o quanto vale um ativo e comprar por menos”.

Howard Mark

Gênios, como Marks, passam uma vida inteira para transformar algo complexo em simples. Para quem lê de fora, pode parecer apenas senso comum, mas não é.

O que muda o jogo é carregar o mundo de conhecimento escondido nessa única frase.

Agora, o que vou fazer é expandi-la, explicar o porquê todo investimento segue essa frase – para que você possa carregá-la para todo lugar, guiando seus investimentos.

Vamos lá, para que algo seja classificado como investimento, é necessário que as duas partes dessa frase sejam seguidas.

Primeira parte: “Descobrir o quanto vale um ativo…”

Descobrir o quanto vale alguma coisa é realmente um desafio.

Warren Buffett – o maior investidor da história – passou mais de 80 anos de sua vida focado nessa única tarefa: descobrir o quanto vale uma empresa.

Para investir, você deve ser capaz de imaginar uma linha clara que divide algo barato e caro. Sem um valor de referência é impossível saber se um negócio é um bom investimento ou não, se uma empresa está barata ou não.

Mas não basta saber o valor de qualquer coisa.

Dentro dessa mesma frase, quero que você perceba que há um termo fundamental que define um investimento: ativos.

Investir não é comprar qualquer coisa, mas ativos.

Se você quiser entender em detalhes qual a diferença entre ativos e passivos – e o porquê, no fundo, investir está ligado somente com ativos -, clique aqui.

A grande questão é que existem milhares de ativos. Dentro do nicho das ações, por exemplo, existem centenas de subnichos (energia, bancos, mineradoras, tecnologia, fintechs etc).

E agora? Você tem que estar atento a tudo? Saber de todas as oportunidades do momento?

A resposta é não. Pra facilitar a sua vida, vou te introduzir a uma das filosofias da Netmart em relação aos investimentos: você não precisa saber avaliar tudo, basta focar em poucos subnichos.

Na verdade, dois ou três são suficientes.

Eu sei que seu cérebro vai tentar te sabotar. Ao ver seus amigos entrando numa empresa fora dos seus subnichos e se dando bem, você será tentado a entrar nela também.

Mas as chances de dar errado são enormes.

Lembre-se sempre que focar em subnichos não vai te prejudicar.

“Não sou nenhum gênio. Sou inteligente em algumas áreas – e fico perto delas.”

Tom Watson

Eventualmente as oportunidades dentro daquele subnicho aparecerão – e você será uma das poucas pessoas capazes de enxergá-las. Isso já será suficiente para te gerar excelentes retornos.

No mercado dos investimentos, não é preciso saber ou investir em tudo. Nenhum grande investidor construiu sua reputação apostando em tudo. Na verdade, eles esperavam. Estudavam e esperavam, até que oportunidades surgissem em suas zonas de competência.

Quando isso acontecia, aí sim eles apostavam grande – porque conheciam profundamente aquela oportunidade.

Como Charlie Munger diz:

“O que um investidor precisa é a capacidade de avaliar corretamente as empresas selecionadas. Observe a palavra “selecionada”: você não precisa ser um especialista em todas as empresas, ou até mesmo em muitas. Você só precisa avaliar empresas dentro de seu círculo de competência. O tamanho desse círculo não é muito importante; conhecer seus limites, no entanto, é vital.”

Charlie Munger

Os maiores erros nos investimentos não são por ação, ou seja, não ter investido na Amazon ou naquela Magazine Luiza de 2015-2021. Tudo bem, eles estavam fora da sua zona de competência.

Os maiores erros, na verdade, são os por omissão. São aquelas oportunidades que você sabia que devia ter investido, mas não investiu. Elas estavam ali, dentro do seu círculo, mas você não entrou forte.

Segunda parte: “… comprar por menos”.

Super atenção agora: em nenhum momento da frase há a palavra “vender”.

Agora as coisas começam a ficar interessantes. Sabe aquele parente que compra e vende imóveis? Ou que compra e vende ações?

Então, isso não é investimento. Não existe “vender” nos investimentos.

Se você vende, está empreendendo, não investindo. Está criando renda ativa, não passiva.

A grande maioria das pessoas entra na bolsa de valores querendo comprar algo por R$10 e vender por R$20, mas esquecem que se comprarem uma empresa que vale R$20, por R$10, elas já ganharam.

Um investimento se ganha na compra de um ativo, não na venda dele.

É por isso que um dos princípios da liberdade financeira, aqui na Netmart, se chama “Compras”.

Você compra e segura. Para sempre.

Lá na série “Dominando o Dinheiro”, você deve ter visto que a riqueza de uma pessoa não é a quantidade de dinheiro que ela possui, mas a quantidade de ativos.

Porque dinheiro não vale nada. Dinheiro é corroído pelo tempo, pela inflação.

Já ativos continuam vivos, corrigindo seu dinheiro para sempre, protegendo seu patrimônio das guerras e mudanças de governos.

“Tá, Paíque, mas como eu ganho se eu nunca vou vender?”.

Tudo tem a ver com fluxo de caixa. Um negócio só pode ter seu valor avaliado se olharmos pra capacidade de produzir caixa ao longo dos anos.

Não é olhando para o maquinário que se vê o valor de uma empresa, mas do que esse maquinário consegue produzir.

Uma terra vazia, que não produz nada – e consequentemente não tem um fluxo mensal de dinheiro -, não vale nada como investimento. Para torná-la rentável, é necessário empreender: produzir algo sobre essa terra e vender, para que produza lucros.

(Mas no pilar “Compras”, falamos de investimentos, não de empreender. Para isso, veja o pilar “Vendas”).

Quando você compra alguma coisa que não gera fluxo de caixa, a única esperança que você tem é de que alguém, futuramente, pague mais caro que você.

Um carro, por exemplo, não produz fluxo de caixa. Torcer para que o seu valor esteja maior daqui a dois anos, depois de muito uso e desgaste, é loucura.

Da mesma forma, quando você compra um negócio por 100 mil, não foi pra vender por 200 mil, mas porque ele consegue te gerar 2 mil reais todos os meses, por exemplo.

Sem fluxo, não há como determinar o valor de um negócio.

É por isso que uma das regras dos investimentos é buscar algo que dê fluxo de caixa, porque, do contrário, você estará apenas torcendo que alguém pague mais caro do que você pagou – e o que produz fluxo de caixa recorrente são ativos.

O único motivo pelo qual você vai investir seu dinheiro em algum lugar é porque ele vai te dar uma renda recorrente ao longo do tempo.

A partir do momento em que você sabe quando de fluxo um negócio pode gerar, por exemplo, por ano – além do crescimento desse fluxo ao longo dos anos – pode avaliar seu preço justo.

Agora sim, após determinar um valor justo para um negócio, o próximo passo é comprar por menos.

Vamos supor que você avaliou o Itaú e chegou num valor justo de 20 reais por ação. Hoje, se ela distribui um dividendo anual de 1 real, significa um retorno de 5% ao ano – somente em dividendos.

Agora, o que aconteceria se o preço dessa ação caísse para 10 reais? O mesmo 1 real de dividendo corresponderia a 10% de retorno.

Se eu sei que uma ação vale 20 reais, mas está sendo cotada a 10, é promoção.

Quem não ficaria feliz de entrar numa loja e comprar um iPhone pela metade do preço?

Ficamos felizes em comprar um iPhone 13 por 4 mil reais quando sabemos que ele vale 8 mil porque Apple já nos dá o preço lá na loja. Ela já faz o trabalho de descobrir o quanto vale por nós.

No mundo das ações não é assim que funciona. Na tela do seu celular há vários números e cotações piscando a cada segundo, mas nunca as confunda com o verdadeiro valor daquelas empresas.

O grande desafio, como disse, é saber o QUANTO VALE um ativo. Depois disso, você já tem sua referência. Agora fica tudo mais fácil.

Por isso, sempre que estiver diante de um possível investimento, pergunte-se:

1- Eu sei o verdadeiro valor disso?
2- Posso comprar por menos?

Se sim, vá fundo. Esse é o significado de investimentos – e de compras.

Paíque